Brasil quer uma fatia maior das suas apostas – o que isso significa para você
O Senado brasileiro acaba de dar um passo importante para tirar mais imposto das apostas online e dos sportsbooks – só que de forma gradual, e não tudo de uma vez.
Uma comissão poderosa do Senado aprovou um projeto de lei que aumenta aos poucos o imposto federal sobre a receita bruta de jogos (GGR) das casas de apostas licenciadas: dos 12% atuais para 15% em 2026–2027 e 18% a partir de 2028. O mesmo projeto também mexe na forma como os dividendos são tributados e aumenta a carga sobre fintechs e outras empresas financeiras. A proposta passou na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado por uma maioria esmagadora (21 votos a 1) e agora segue para a Câmara dos Deputados, onde a briga política continua.
Mas… o que tudo isso significa se o que você quer mesmo é boa odd, bônus gordo e saque rápido?
Bora traduzir a política para a linguagem do apostador.
O aumento de imposto em “português do apostador”
Hoje, os sites de apostas licenciados no Brasil pagam 12% de imposto sobre a GGR – basicamente, o dinheiro que sobra depois de pagar os bilhetes vencedores. Com o novo plano, isso vai subir para:
- 15% em 2026 e 2027
- 18% a partir de 2028
Lá atrás, teve gente defendendo ir direto para 24%, mas essa ideia foi suavizada depois que operadores e especialistas alertaram que isso poderia destruir o mercado recém-regulamentado e fortalecer os sites ilegais de fora do país.
Então sim, os impostos vão subir – mas não de forma tão agressiva quanto se imaginou no começo.
Esse imposto novo cai direto em cima de você?
Tecnicamente, o imposto é cobrado da casa de apostas, não do jogador. Você não vai ver uma linha na aposta escrita “imposto” sendo descontado do seu green.
Mas, na prática, quando o custo da operadora sobe, ela costuma recuperar isso de alguns jeitos:
- Bônus mais apertados – menos promo “maluca” e mais regrinha chata
- Odds um pouco menos generosas em alguns mercados
- Programas VIP e de fidelidade menos “mão aberta”
- Marcas menores saindo do jogo, por não aguentarem margens tão apertadas
A arrecadação das apostas no Brasil também está ligada ao orçamento da seguridade social, e parte da grana extra pode ser redirecionada para estados e municípios durante os anos de transição – ótimo para as contas públicas, mas um sinal claro de que o governo está contando com o dinheiro das apostas.
Resumindo: você não paga o imposto “na linha da aposta”, mas provavelmente vai sentir o efeito nos bônus e na qualidade das ofertas.
O lado positivo: um mercado que não explode do nada
Antes de entrar no clima “fim do mundo”, vale olhar o copo meio cheio: tem, sim, alguns pontos positivos para o jogador.
- É um aumento “aos poucos”, não um choque
Vários senadores deixaram claro que não queriam dobrar a taxa de uma vez só e quebrar justamente as casas que decidiram se legalizar, deixando espaço aberto para os sites ilegais.
Isso é uma boa notícia se você curte:
- Marcas que permanecem no mercado e não somem do dia para a noite
- Casas que conseguem investir em atendimento, tecnologia e pagamentos
- Um cenário em que sites legais ainda conseguem competir com os piratas
Se você aposta em plataformas reguladas no Brasil, um aumento de imposto escalonado é bem melhor do que uma “bomba” de uma vez só.
- Foco maior no dinheiro “sujo”
O projeto também mira sites ilegais e arranjos esquisitos com fintechs que podem ser usados para lavagem de dinheiro e crimes organizados. Isso inclui regras mais duras para quem movimenta grana das apostas.
Para você, jogador, isso pode significar:
- Mais pressão em cima de sites sem licença, que não protegem seus fundos
- KYC e verificações mais rígidas nos sites legais (sim, mais “manda documento pra gente” – mas com mais segurança)
- Uma divisão mais clara entre sites sérios e a terra de ninguém
É chato quando tudo o que você quer é depositar e girar uns slots? Às vezes, sim. Mas é o preço de ter um mercado onde o saque realmente cai na sua conta.
A parte “nerd”: dividendos e por que isso pode te afetar
O projeto de lei não fala só de apostas – ele também mexe nas regras de tributação de dividendos.
Um ponto importante:
- Dividendos apurados até 31 de dezembro de 2025 continuam isentos de imposto se forem pagos até 30 de abril de 2026, em vez de precisarem ser distribuídos até o fim de 2025.
Dois detalhes relevantes:
- Essa janela estendida vale para residentes no Brasil.
- Contadores já comentaram que fechar dividendos em dezembro não casa perfeitamente com todos os calendários de reporte, mas ainda assim consideram a nova data limite um avanço.
Se você investe em ações de casas de apostas ou fintechs, isso muda o timing e, às vezes, o valor líquido dos dividendos que você recebe. Para quem só quer apostar no fim de semana, isso é mais pano de fundo do que notícia principal.
O que isso pode fazer com seus bônus e odds
Agora vamos ligar os pontos como um verdadeiro caçador de bônus faria:
- 2025 – Nada muda na prática. As casas ainda estão sob a alíquota de 12%.
- A partir de 2026 – O imposto sobe para 15%. As operadoras começam a ajustar:
- Bônus de boas-vindas podem ficar um pouco menores
- Requisitos de apostas e odds mínimas para freebets podem subir discretamente
- Programas VIP podem ficar um pouco menos generosos
- A partir de 2028 – Com 18%, bônus e odds devem se estabilizar em um “novo normal”, em que cada real de custo é calculado no detalhe.
Algumas projeções de mercado apontam que as mudanças de imposto e a formalização podem acrescentar algo na casa de R$ 5 a R$ 6,7 bilhões à economia entre 2026 e 2028, conforme o sistema regulado se consolida.
Para o jogador, isso normalmente significa:
- Menos ofertas “bom demais pra ser verdade” em sites legais
- Mas também menos histórias de terror de gente que nunca recebeu o saque de um site completamente aleatório
Se você já viu um bônus ser “nerfado” depois de uma mudança de lei, já sabe como a dança funciona.
Então… apostadores no Brasil precisam se desesperar?
Não. Mas vale ficar ligado.
O resumo da ópera é:
- Suas casas favoritas não estão condenadas, mas vão precisar se adaptar.
- Bônus e odds tendem a ficar um pouco mais apertados nos próximos anos, conforme os impostos sobem.
- Sites ilegais devem sofrer mais pressão, o que é bom para a segurança, mas pode tentar alguns jogadores a correrem atrás de ofertas arriscadas e sem proteção – exatamente o cenário que o governo diz querer evitar.
- Se você também investe no setor, as mudanças em dividendos e na tributação de fintechs merecem atenção extra.
O projeto ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados e receber aprovação final antes de qualquer coisa começar a valer de fato (as mudanças mais pesadas chegam a partir de 2026). O Ministério da Fazenda também vem discutindo como moldar a regulamentação do mercado de apostas para 2026–2027, incluindo prioridades de fiscalização e a forma como o setor será supervisionado.
Em outras palavras: as regras do jogo ainda estão sendo escritas, mas a direção é clara – o Brasil quer um mercado de apostas maior, mais limpo e mais taxado.
Para você, jogador brasileiro, o jogo nos próximos anos é:
- Dar preferência a casas licenciadas e confiáveis
- Entender que os bônus vão mudar à medida que os impostos sobem
- E lembrar que a melhor vantagem ainda é escolher bem onde e como apostar – não esperar que a lei transforme roleta em caixa eletrônico.




